Jornal da Praceta

O jornal de Alvalade

Fundado em 2001 

 

   

 

Mobilidade Sustentável, Bicicletas e Ciclovias em Alvalade

 
     
 

 Estações de Lisboa Bike Sharing em Alvalade

Muito em breve a EMEL começará a instalar na freguesia de Alvalade estações de bicicletas partilhadas. Em toda a cidade estão previstas 140, para um total de 1410 bicicletas (940 electricas). O processo de utilização é simples: descarrega uma aplicação para o telemóvel. Tira um bilhete diário (10 euros), mensal (15 euros) ou anual (25 euros), e depois é pedalar!.

Em vários pontos do Bairro de Alvalade começaram a ser instaladas as estações de bicicletas. Um projecto que ainda não suscitou os habituais protestos dos "maluquinhos dos automóvel". (Agosto, 2017)

A Universidade de Lisboa e as bicicletas

Com algum atraso, a Universidade de Lisboa, começou a tomar timidamente medidas para incentivar os alunos a deslocarem-se de bicicleta. O planalto em que está instalado a Cidade Universitária, assim como a rede de ciclovias que já está criada justificaria uma campanha mais ativa, esperamos que uma dia tal aconteça.

Os estudantes do Universidade de Lisboa a avaliar pelo que acontece no campus em Alvalade continuam agarrados aos automóveis. Os parques estão cheios e continuam a estacionar por tudo quanto é sítio.  Apesar disto, em 2014, ganharam o financiamento para a construção de uma ciclovia que vai unir todos os polos da Universidade de Lisboa. Orçamento Participativo da CML - Projecto 189 (2014)

 

Arquivo

1ª. Ciclovia de Entrecampos às Telheiras (2001)

 

No dia 16 de Setembro de 2001 foi inaugurada a primeira de uma série de vias cicláveis na cidade de Lisboa. Trata-se de uma iniciativa da CML tendente a sensibilizar a população para a caótica situação do transito e do estacionamento na cidade. 

 

A obra não tardou a ser amputada na sua ligação ao Bairro das  Telheiras, em virtude da construção do Estádio do Sporting Clube de Portugal. Por incrível que pareça, só em 2010 esta ligação voltou a ser reposta.

 

Projecto da Ciclovia de 2001. Pouco depois de ser inaugurada por João Soares foi logo amputada na sua extensão. 

 

Mandatos de António Costa (2007-2013)

O período que precedeu as eleições autárquicas de 2009 foram férteis no lançamento de várias obras municipais na actual freguesia de freguesia de Alvalade:  

As laterais da Alameda da Universidade foram (quase) requalificadas, após décadas de abandono. Registe-se o facto de em Julho de 2011, alguns dos novos candeeiros já tinha sido vandalizados. As obras só foram concluídas meses antes das eleições de 2013 em toda a extensão da Alameda.

Nas eleições de 2009 surgiram duas novas ciclovias em Alvalade/Campo Grande :

 

A ciclovia entre o Estádio Universitário e o Parque das Nações, atravessa toda a Avenida do Brasil. 

 

A ciclovia entre o Campo Grande e a Quinta da Montanha (Olaias), passando pela Rua de Entrecampos e Avenida Frei Miguel Contreiras.

 

Nas eleições autárquicas de 2013 surgiu  a ciclovia da Rua das Murtas que liga a Av. do Brasil à Alta de Lisboa (as obras começaram em Junho de 2013) .

 

Quem não gostou desta iniciativa camarária foi a antiga Junta de Freguesia de Alvalade, que promoveu em Maio de 2009 um abaixo assinado para travar a construção da ciclovia que passava nesta freguesia. Trata-se de uma reacção típica do bando de autarcas que tem dominado Lisboa, cujos resultados da sua política criminosa temos denunciado: uma cidade a desertificar-se, mas sempre apinhada de automóveis.  

 

Recorde-se que no âmbito do Orçamento Participativo da CML foi aprovado para 2010, um projecto que visa alargar as faixas de "Bus", para criar corredores para bicicletas. A concretizar-se este excelente projecto, seria possível fazer em segurança todo o percurso entre o Campo Grande e o Terreiro do Paço. Em 2013 tudo continuava na mesma.

 

 

Para saber mais sobre esta prática desportiva contacte o Núcleo de Cicloturismo de Alvalade (Av. do Brasil).

Ciclovias: uma extravagância camarária ? 

As ciclovias em Lisboa são indiscutivelmente a obra que ficará a marcar os dois mandatos de António Costa na CML. Depois de décadas de subordinação aos automóveis os dirigentes camarários acordaram e descobriram as virtudes da bicicleta: não polui a cidade e promove hábitos de vida saudável. Mais

Aluguer de Bicicletas (2008)

A ideia era boa. A CML desde 2008 que prometia criar pela cidade 250 postos com 2500 bicicletas. Chegaram a abrir alguns postos, mas as condições de aluguer eram demasiado burocráticas e a preços proibitivos. Ninguém acabou por alugar bicicletas e a ideia foi abandonada (2011). A ideia continua a ser válida, mas é preciso antes disso abrir verdadeiros eixos cicláveis na cidade, nomeadamente entre o Campo Grande e o Terreiro do Paço.

 

 
 

Tradição do Ciclismo no Campo Grande

O ciclismo em Portugal está desde a sua origem ligado ao Campo Grande. No século XIX como hoje, no jardim, gerações de portugueses aprenderam a andar de bicicleta. Nunca faltaram aqui oficinas e até clubes de ciclismo.

A afluencia era tal que a câmara municipal, em 1897, publicou uma postura para regulamentar o transito dos velocipedista no Campo Grande.

Ao longo dos anos realizaram-se inúmeras provas de ciclismo, começavam ou aqui terminavam.

O Clube Velocipédico de Portugal, organizou no dia 12 de Agosto de 1886, uma prova de 12 Km, ganha por José Bento Pessoa, um notável ciclista, campeão mundial dos 500 m (Madrid, 1897).

A prova dos 100 km (caldas da Rainha -Lisboa), em 1901, terminou no Campo Grande e foi ganha por José Maria Dionisio.

A mais célebre de todas as provas foi os 50 Km, iniciada em 1906, numa organização do Velo Clube de Lisboa, cuja popularidade se manteve até aos anos 50.

Em 1910 realizaram-se provas de ciclismo integradas nos primeiros jogos olimpicos nacionais. Em 1912 a prova ciclista Porto-Lisboa (360 km) tinha a sua meta no Campo Grande, e foi ganha por Laranjeira Guerra, do Sporting.

A Volta a Portugal em Bicicleta, iniciada em 1927, durante anos tinha um dos seus momentos altos no Campo Grande.

"As corridas no Campo Grande

"As corridas de velocípedes, realisadas no formoso parque do Campo Grande no dia 18 d’agosto ultimo constituirão sem duvida um acontecimento notavel no meio da profunda apathia em que até agora se tem arrastado na capital o cyclismo – quasi sem dar accôrdo de si.

Cabe ao Velo-Club de Lisboa, associação nascente mas solicitada e intelligentemente dirigida a um grupo de cyclistas enthusiastas, á frente dos quaes se encontra o nosso amigo sr. Veiga Rego – um arrojado e sympathico rapaz que se não poupa a esforços nem sacrifícios para a engrandecer e tornar prospera – a gloria de haver promovido essas corridas, que ficarão memoráveis, não só pelo seu completo exito, que foi muito alem de toda a expectativa, com também porque, conforme já dissemos, foram as primeiras a que a população da capital poude assistir.

Poucos foram os jornaes que anunciaram a diversão, e esses mesmos não lhe fizeram os reclamos pomposos que costumam dispensar a outros espectaculos, porventura menos interessantes e civilizadores, e por isso bem menos dignos de recommendação. Entretanto a concorrencia foi deveras numerosa, sobretudo se attendermos á circunstancia de haver n’esse dia, tanto em Lisboa como nos seus arredores, uma infinidade de festas e distracções que attrahiam muitas pessoas.

As corridas, de cujo resultado os leitores encontrarão informação completa na secção noticiosa, effectuaram-se com a maior correcção e seriedade, exforçando-se todos os cyclistas que n’ellas tomaram parte por fazer sobresahir os seus dotes de corredores, luctando com verdadeiro ardor por alcançar a desejada victoria.

D’esta fórma, todos que assistiram ao bello torneio cyclico a que nos vimos referindo, mesmos as pessoas completamente extranhas ao sport velocipedico, sintiram-se por vezes possuidas de verdadeiro enthusiasmo, e applaudiram freneticamente os luctadores.

Sobretudo, a esplendida emballagem final de José Bento Pessoa na corrida de Seniors, 1.o grupo, e a corrida de tandems em que os dois equipos Carlos-Bleck-Correia de Sá, e Luis Neves-Francisco Martinho, disputaram a victoria em todo o percurso com a maior tenacidade e galhardia, causaram verdadeira sensação, e foram alvo de calorosas e merecidas ovações. Receberam egualmente muitos applausos o sr. Manuel de Sousa Junior, que na corrida de Seniors, 2.o grupo, alcançou o 1.o premio, e correndo em seguida no 1.o grupo chegou em segundo logar; o sr. António Benitez, vencedor, em 1.o logar, em Juniors, e em segundo em Seniors, 2.o grupo, o sr. Júlio Vasconcellos na corrida de consolação, e em geral todos os outros vencedores, porque todos se revelaram cyclistas de incontestavel merecimento.

Prestamos, pois, uma justa homenagem, inserindo no presente numero os retratos dos vencedores dos primeiros premios, e o do digno presidente da direcção do Velo-Club.

O que presenceámos n’estas corridas mostrou-nos que o sport velocipédico se tem já insinuado bastante nos nossos habitos; e que, se ha ainda muitas pessoas que lhe sejam adversas, inspiradas pelo espírito de reluctancia que em geral se manifesta sempre contra todas as innovações, mesmo que as de mais reconhecida utilidade, não lhe faltam entretanto admiradores sinceros e convictos e entre estes muitas damas que se encontravam entre os espectadores.

Uma das grandes vantagens d’estes torneios é chamar attenção publica para a utilidade do velocipede, como meio de transporte economico, commodo e rapidissimo. São espectáculos recreativos e interessantes, que despertam a curiosidade e o enthusiamo; e ao mesmo tempo de incontestavel utilidade, por serem um estimulo ao desenvolvimento das naturaes aptidões do que n’elles tomam parte, e a mais eloquente resposta que pode dar-se aos detractores do cyclismo.

Tendo nós, por mais de uma vez, censurado esses simulacros de corridas que ainda não ha muito ahi se estavam realisando em quasi todos os domingos e dias santificados, e que eram de tal ordem que no dia immediato todos vinham a publico declinar a honra de as haver promovido, – caso que algumas vezes se deu – não podemos deixar de congratular- nos sinceramente pelo exito d’estas a que nos vimos referindo, e que devem ter deixado plenamente satisfeitos os seus promotores.

Concluiremos por uma declaração que se nos affigura necessaria para evitar erradas illações de parcialidade que das nossas palavras alguem, porventura, quizesse tirar; e vem a ser que, não tendo nós a honra de ser socio do Velo-Club de Lisboa, nem de uma outra associação velocipedica, sommos por isso completamente insuspeitos, e mantemos todas as nossas apreciações sobre os actos públicos d’essas sociedades a mais absoluta e completa independência. Se as corridas de que nos occupamos merecem os mais calorosos elogios, é que ellas em verdade foram boas, e a todos deixaram cabalmente satisfeitos. Se o contrario se tivesse dado, tão justo e sincero como o sômos no louvor, o seríamos então na crítica. Magalhães Fonseca", A Bicicleta, 1/9/1895

 

 

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