Não é possível pensar os regimes democráticos sem uma
participação activa dos seus cidadãos. A verdade é que o panorama é
deprimente nos países mais desenvolvidos do mundo. Porque é que a maioria dos cidadãos
parece estar a abdicar dos seus direitos e deveres de cidadania?
Crise de Legitimidade. Uma elevada percentagem dos eleitores
afirma que não se reconhece nos candidatos e nas suas propostas eleitorais, facto que se traduz
nas elevadas percentagens de abstenção nos actos electorais. O resultado é muitas vezes elevadas
figuras do estado eleitas por simples minorias.
Política Espectáculo. A mediatização da
política transformou o debate político num espectáculo, onde frequentemente muitos
políticos para obterem elevados níveis de notoriedade pública, assumem
atitudes e comportamentos que lhes retiram qualquer crédito aos olhos da maioria dos
cidadãos, mas que têm também como consequência minar a confiança no
próprio sistema democrático.
Expectativas Defraudadas. Os cidadãos sentem
frequentemente que os políticos só se preocupam com eles em épocas
eleitorais, após as mesmas são rapidamente esquecidos.
Falta de Transparência. Um dos motivos para
explicar a falta de participação na vida política, está no facto dos
cidadãos se queixarem que não são informados e de serem múltiplos os
entraves que encontram quando pretendem ter acesso à informação relevante
sobre a coisa pública.
Alienação. A criação de grandes organizações
internacionais, como a União Europeia, estão a produzir um progressivo alheamento
dos cidadãos sobre o seu destino colectivo. A complexidade destas
organizações e a forma difusa como as decisões nelas são tomadas, contribuiu
para diminuir o interesse dos cidadãos pelas mesmas.
A tudo isto, acrescentam alguns autores, os valores
próprios de um sociedade de consumo que exacerba o culto do hedonismo e
a primazia dos interesses individuais sobre os colectivos. .
Saídas?
Entre
as muitas que têm sido apontadas, destacamos as seguintes:
a) Aproximar o sistema de decisões públicas dos cidadãos, nomeadamente
descentralizando o Estado, partilhando as decisões, e melhorando
acesso dos cidadãos à informação. Em muitas cidades do mundo estão a
ser postas em prática sistemas muito abertos de participação permanente
dos cidadãos, assim como o seu acesso à informação, utilizando as
possibilidades criadas pelas internet.
b) Incentivar a
participação cívica como um dever de qualquer cidadão, nomeadamente
através do sistema educativo controlado pelo Estado.
c) Estimular a criação de associações de
cidadãos que possam funcionar como escolas educação cívica e meios
de pressão sobre os decisores públicos.
Carlos Fontes |