Relação afectiva
O conceito de pátria é em
primeiro lugar uma relação afectiva que se cria pelo lugar onde se
nasceu ou se adoptou. As pessoas, histórias, paisagens, tradições e outros
elementos locais passam a fazer parte do nosso imaginário, preocupações e
sentimentos pessoais. Esta relação afectiva faz com que o patriota sinta como
seus os problemas da sua comunidade, e se sinta a obrigação interior de dar a
sua contribuição para os resolver.
O patriotismo é, neste sentido, uma
manifestação da vocação solidária e política do ser humano, que se revela
frequentemente numa partilha de sentimentos (alegrias, tristezas, etc) dos
membros de uma dada comunidade.
Esta forte relação afectiva com
a terra à qual se está ligado, para muitos filósofos é que dá significado a
grande parte da existência humana. Sócrates recusa-se a sair da sua cidade
(Atenas), quando lhe propõem a fuga. Aristóteles define o homem a partir de um
topos (lugar), porque não concebe o homem desenraizado. Bakunin (anarquista),
embora tenha assinalado a função solidária do patriotismo, não deixou de
chamar a atenção para as perversões que podem resultar do patriotismo: a
xenofobia (horror ao Outro) e o nacionalismo (crença na superioridade face a outros).
Relação económica.
O liberalismo, a partir do
século XVII, ao valorizar a iniciativa individual, desvalorizou a noção de Pátria,
substituindo-a pela noção de mercado.
O marxismo, no século XIX,
seguindo um velha tradição materialista, negou o papel da afectividade na política.
O que movia os homens eram os seus interesses económicos, a pátria era uma ficção.
Liberais e marxistas estavam de acordo um ponto: o capitalista não tem Pátria,
tem apenas interesses próprios a defender. O conceito de pátria era uma ilusão
que importava destruir, em especial junto dos trabalhadores.
A história das sociedades
mostram-nos que o patriotismo não significa a negação da defesa dos próprios
interesses económicos. Muitos grandes capitalistas, por exemplo, sem nunca
descurarem do seus negócios revelaram uma relação extremamente afectiva com a
sua pátria e os seus concidadãos. Uma coisa é certa, os interesses económicos
sem ligação à pátria, facilmente se transformam pura rapina, saque de
pessoas. O ser humano reduzido à sua dimensão económica torna-se num
predador, vendo no Outro não pessoas, mas caça.
Comunistas e Neoliberais
Nas últimas décadas a situação
política em Portugal revelou uma estranha aproximação entre neoliberais e
marxistas. Os primeiros lutam pela des-regulação do mercado de forma a
facilitar o seu saque. Os segundos, ao secundarizarem também o conceito de pátria,
geraram um número muito significativo de iberistas e ideologos do capitalismo
selvagem.
Traição à Pátria, o que é
?
Compromisso
Trair significa quebrar um compromisso. Qualquer país assenta num compromisso
entre os seus membros actuais com outros das gerações que os precederam. Um
compromisso que é assumido por cada nova geração, no qual se comprometem a
preservar e ampliar os bens comuns (materiais, intangíveis, etc) que lhes foram
foram legados pelas gerações anteriores.
Um país como Portugal, é
uma formidável obra colectiva construída ao longo de muitos séculos, fruto do
sacrifício, vontade, trabalho, criatividade e afecto de milhões de pessoas.
Cada português é o herdeiro de um imenso património que nenhum homem por si só
seria capaz de criar e manter.
O processo de socialização,
isto é, a integração de um individuo desde que nasce numa dada comunidade é
a forma mais imediata de tornar conscientes aos novos membros dos compromissos
que possuem com a comunidade que fazem parte.
O acesso à cidadania é a plena
consciência das implicações éticas e políticas destes compromissos
colectivos. Neste sentido, os regimes democráticos são aqueles que se revelam
mais ajustados à assunção destes compromissos, porque asseguram a igualdade
e liberdade de todos os cidadãos nas deliberações sobre o seu futuro
colectivo.
Abandono
O individuo que por uma razão qualquer abandona o seu país, não é nenhum
traidor. A mudança de país é um direito que assiste a qualquer cidadão do
mundo. Contudo, ao mudar de comunidade muda também de compromisso, passando a
assumir de novas responsabilidades pois passa a desfrutar de bens que sucessivas
gerações de outros países criaram e lhe são agora proporcionadas.
Traição
A traição surge quando um membro de um dada comunidade onde nasceu ou foi
acolhido, deliberadamente e através de acções conscientes concorre para
quebrar os laços de confiança, respeito mútuo e solidariedade que unem os membros de uma comunidade, colocando em perigo o seu futuro
colectivo.
O iberista, por exemplo, é um
pode e deve ser considerado um traidor, porque de forma deliberada procura
destruir os afectos que unem os portugueses ao seu país (patriotismo),
quebrando a ligação entre as gerações e minando a confiança no futuro de
Portugal.
Os políticos iberistas,
deve-se-lhes ser atribuída uma dupla responsabilidade. Primeiro porque são
cidadãos portugueses e depois porque os seus concidadãos lhes deram o seu
voto de confiança para os conduzirem no seu esforço colectivo de preservação e
melhoria do que receberam de gerações anteriores. |