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Foi Mais ou Menos Assim   

 
 
 

Faz este ano 40 anos que teve inicio o primeiro Curso de Estilismo Industrial do CIVEC, facto que me recordou uma antiga, deixando um de contar, "mais ou menos" como tudo começou.

CITEM

Fui tudo inesperado ou talvez não. Numa empresa de publicidade luminosa, em 1982, foi chamado a colaborar na iluminação de um salão, na Associação dos Comerciantes de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão, onde um Anselmo Balzola, pretendia proferir uma conferência sobre confeção. Residia havia poucos anos em Portugal onde organiza cursos de modelagem. No contacto que tivemos, e da longa conversa que prosseguiu no Hotel Tivoli, o assunto interessou-me particularmente.Poucos meses antes, em mais uma visita a Paris, tinha andado a explorar as novas tendências do design, incluindo na Alta Costura.

Abertura que ocorreu em Portugal depois do derrube da Ditadura (1974), o campo das artes estava em grande efervescencia. Eu, como muitos outros, andavamos obessivamente à procura de novas ideias. Na Filosofia (faculdade de Letras de Lisboa), mas também em locais, como a Galeria Quadrum (Alvalade), onde Ernesto de Sousa com as suas caóticas aulas ou a performance de Gina Pane eram absorvidas como algo transcendente.

Na altura da conversa, a minha casa em Alvalade, viu nascer duas revistas de filosofia - Filosofia Actual e Logos -, assim como ali foram planeadas várias iniciativas no domínio das artes, nas quais participaram, entre outros, João Queirós. Para não perder o contacto directo com os grandes mestres que lecionavam na Escola de Artes António Arroio, acumumulava cursos: Artes dos Tecidos, Imagem, Artes Gráficas e julgo que Artes do Fogo. Deixava sempre uma disciplina por fazer, pedia equivalências, e inscrevia-me num novo curso. Os conselhos técnicos e opiniões criticas destes mestres eram fundamentais para os projectos em que trabalhava e textos que escrevia.Não era caso único.

Da conversa havida, sabe-se lá porquê, Anselmo e a Shirley ( a sua companheira da altura), convidaram-me a colaborar na criação de um a escola de moda, o CITEM - Centro Internacional dos Tecnicos de Moda, a abrir em Lisboa (Rua do Salitre) e no Porto (Clube Fenianos). Aceitei o desafio, abandonei a publicidade gráfica e luminosa, e a concepção de stands na Feira Internacional de Lisboa. Deveria assegurar duas disciplinas curso, História da Moda e Tecnologia Textil. O material didáctico base vinha da escola Marangoni, e outro que teria que arranjar no país, Paris e Madrid. Na prática, tinha que fazer muitas outras coisas: escrever os textos promcionais e outros do CITEM, orientar e tomar a meu cargo, desde o stand na Portex (Dez.1982), a obras nas instalações em Lisboa, adequação dos espaços no Porto. Foram meses de intenso trabalho, recolha e sistematização de informação.

As aulas arrancaram no Porto e Lisboa, em Janeiro de 1983. Não havia tempo a perder, era necessário recuperar o investimento feito. Para complicar a situação, Anselmo, resolvera criar nos Fenianos um resturante, o Rossini, cujo trabalho de promoção ficou a meu cargo. O leque de alunos era desafiante, nomeadamente em Lisboa, recordo-me de Eduarda Abondaza, Mário Matos Ribeiro, Iolanda, Paula Mercês, Isabel Marcos (?). Em março estou de novo em Paris, agora com objectivos pessoais precisos: conhecer melhor o que se fazia no dominio do ensino da moda, métodos pedagógicos, para além de recolher materiais, contactos com associações profissionais e patronais, tudo o que pudesse colmatar as lacunas por demais evidentes que existiam na escola. Como "coordenador pedagógico" do CITEM, defendia que tinhamos que largar as áreas de formação e estabelecer uma ligação à industria. Como professor, trabalhava numa abordagem criativa à História da Moda, seguindo as práticas similares correntes nas escolas de referência na Europa. Sem nada estar consolidado, o Anselmo promovia já novos cursos na área do vitrinismo, passagem de modelos, entre outros. As tensões internas aumentaram entre o reduzido corpo docentes, os atrasos nos pagamentos. O ambiente no CITEM, reflectia de algum modo o que ocorria no país. Em 1982, o defice externo atingiu os 12,9% de toda a produção anual. Em 1983, o governo apelou à intervençaõ do FMI. As taxas de juro foram aumentadas, para travar o consumo e o investimento, foram vendidas reservas de ouro do Banco de Portugal, para encontrar meios financeiros com que o Estado pudesse cumprir os seus compromissos internacionais.

Assim que conclui todas as trabalhos que coordenava, terminei as disciplinas que leccionava, fechei o ciclo do CITEM.

Industria

No princípio dos anos oitenta era fácil perceber que algo tinha que mudar na formação profissional nos sectores da industria textil e de confecção. Ambas representavam cerca de 30% das nossas exportações e da mão-de-obra activa.A esmagadora maioria das empresas em Portugal, limitavam-se a fabricar os modelos concebidos fora do país, destinados a mercados que não dominava. Havia a clara consciência política que era necessário preparar as empresas a dificil transição do "trabalho a feitio" para a "produção própria", numa industria cuja competitividade assenntava nos baixos salários. A entrada de Portugal para CEE (atual UE), prevista para Janeiro de 1986, acabaria a médio prazo por diminuir vantagens competitivas assentes nos baixos salariais, levando ao encerramento de centenas de fábricas e fabriquetas. Cenário sobre a qual, como veremos, escrevia vários textos e proferi várias conferências.

Alguns jovens desde finais dos anos 70 que haviam procurado no estrangeiro, sobretudo em Inglaterra (Central St. Martins), obter uma formação nesta área. No principio dos anos anos 80, criadores como Manuela Gonçalves, Helena Redondo, Zíugnio, Ana Salazar, José Carlos entre outros, deram rosto a este movimento, orientados para nichos de mercado. A grande industria e consumidores passou ao lado desta movimehto, que na altura agitava o Bairro Alto. Este movimento de renovação, ainda que timido, foi acompanhado da realização de feiras e eventos de grande dimensão, como a Portex (1977, Porto), Filmoda /Intermoda (1983, Lisboa), Não raro serviam apenas de montra para as empresas aceitarem pedidos de clientes estrangeiros para o fabrico de confecções modelos a baixo custo.

No Porto, registavam-se iniciativas muito positivas, como o aparecimento da GUDI (1983), e no ano seguinte a Academia de Artes e Oficios e o Colégio de Nª. Srª. do Perpétuo Socorro, Cooperativa Arvore, com formações no domínio da moda. A criação do CITEM teve sem dúvida alguma influência. Em Lisboa, o IADE (1984) lançou os primeiros cursos superiores em design de moda, curso replicado na Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Nestas escolas a formação artística estava quase sempre desligada da formação técnica, e do conhecimento da industria. A ausência de uma ligação efectiva destas escolas às empresas de confecção, limitava bastante o alcance da formação que ministravam.

IEFP - CFPVS/CIVEC

O IEFP (criado em 1977), a partir da restrutuarção do antigo Fundo de Fomento de Mão-de-Obra (1932), atravessava na altura uma profunda mudança, tendo em conta as necessidades decorrente das mudanças estruturais do país.

No sector dos texteis e da confecção foram criados, em 1981, dois centros de formação profissional, numa parceria entre o IEFP e associações de empresas do sector: o CITEX no Porto e o CFPVS- centro de Formação Profissional do Vestuário do Sul (1981, futuro CIVEC) em Lisboa. O CFPVS, focado na industria de confecção, abrangia um área correspondente a 9 distritos: Leiria, Santarém, Castelo Branco, Portlagre, Évora, Beja Lisboa, Setubal e Faro, onde laboravam 930 empresas com 19.000 trabalhadores. As instalações da primeira sede, na Rua da Misericórdia, eram muito precárias, reduzidas a duas salas, pouco mais permitiam do que organizar cursos de costura industrial. Uma formação que devia ocorrer em ambiente laboral e não dele desligado.

O CFPVS , sob a lideração da engª. Ester Gonçalves, projectava alargar a oferta formativa na área da confecção, após encontrar novas instalações. Recordo-me pelas pelas conversas havidas, que o Estilismo era uma das hipóteses, mas o que se fazia era pouco entusiasmante. Em meados de 1984, no regresso de mais uma viagem a França, a Ester Gonçalves contacta-me para pensarmos num possivel curso de estilismo. O "Centro" passara a ter novas instalações em Benfica, inauguradas a 18 de Julho, onde passariam a funcionar três novos cursos: Modelistas, Tecnicos de Confecção e Técnicos de Manutenção. Em 1985 abriram delegações na Covilhã e em Castelo Branco.

Comparando o que observava em Portugal e o que se realizava em noutros países, na área do Estilismo (Design de Moda), a conclusão era óbvia: havia muito a fazer. Os cursos teriam que ser bem preparados, desde a imagem da própria "escola", articulação com a industria, definição dos perfis profissionais, formação dos próprios formadores, organização dos curriculos aos materiais didácticos disponiveis. A inserção dos formandos no mercado de trabalho, também não devia ser descurada. Não havia tradição em Portugal neste domínio, bastava atravessar a fronteira para constatar as enormes lacunas. Aceitei este novo desafio, depois de uma passagem que me desiludiu pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Para ajustar o que havia aprendido e o que projectava fazer. Comecei por organizar cursos de curta duração para profisssionais do sector. Era forma aferir (e avaliar) conhecimentos e métodos pedagógicos. Em janeiro de 1985, organizei o primeiro "Curso de Iniciação ao Estilismo" para modelistas. Um mês depois, face a muitas solicitações estou a ministrar outro na Feira Internacional de Lisboa, mais amplo e com novos recursos didácticos, para um leque de profissionais mais vasto. O terceiro teve inicio em Setembro, terminando no final de Novembro no mesmo ano.

Estilismo Industrial.

Desde Setembro de 1985, na passei a coordenar o chamado "Sector dos Recursos", elaborando um plano para lançar um curso de estilismo industrial, avaliar disponiblidades financeiras, estabelecer o curriculum, reunir e adquirir recursos didácticos e selecionar possiveis formadores para as diferentes matérias.

O curso, segundo os parametros do IEFP, teria a duração de três anos, seguidos de um estágio profissional. Entre os objectivos acordados, o curso para além de formar profissionais para a industria, deviam ter em conta outras saídas profissionais como, no comércio (consultores de compras, de imagem) ou na comunicação (publicidade, criticos de moda ). Devia ainda permitir constituir uma futura bolsa de formadores nesta área, com elevado conhecimento no sector..

O curriculum que elaborei e que foi aprovado pela direcção do CFPVS e depois concretizado, estava organizado de modo a possibilitar uma progressiva integração dos alunos nos diversos níveis artisticos e técnicos. No primeiro ano, um conjunto de disciplinas como Desenho de Moda, Técnicas de Representação Gráfica, Desenho Anatómico, Desenho Técnico, Modelismo, Organização de Empresas de Vestuário, História da Moda, Psicossociologia da Moda e perspectiva sobre a Evoluação da Industria de Vestuário, deviam possibilitar um primeiro contacto com as exigências do Estilismo Industrial. No segundo ano, abriam-se novas perspectivas, para além das disciplinas plurianuais, surgiam outras com novos focos: Metodologia de Preparação, Organização e Fabrico Industrial de Colecções, Marketing de Moda, Gestão da Qualidade, Moulage, Tecnologia Geral Textil, Tecnologia da Confecção, Exploração de Projectos. No Terceiro, ano, incidiam sobre a Promoção e Comercialização de Colecções, Apresentação Gráfica de Colecções, Promoção e comercialização de Produtos de Moda, Estudo e desenho de Acessórios, Realização de Protótipos, Selecção de Tecidos, Padronagem por Computador e Moda e Comunicação.

No ambito da preparção do curso, entre 9 e 14 de Setembro de 1985, organizamos a vinda a Portugal de Paul Brauder, para ministrar no CFPUS (futuro CIVEC), um curso de "Colecções e Estilismo Industrial". Um assunto que entendia, na altura, de enorme relevância.

Decidimos lançar o curso em 1986, um ano que representou um ponto de viragem no país. Em janeiro foi a entrada na CEE. No comercio, como era esperado, começou a operar-se um verdadeira revolução: abriu o primeiro centro comercial de grandes dimensões (Colombo), expandiram-se as grandes superficies (Continente), que acabaram por levar à falência dezenas de milhares de pequenas lojas que constituiam o chamado "comércio tradicional". As grandes cadeias internacionais de vendas de todo todo o tipo de produtos e serviços, começaram a difundir-se pelo país. Era uma revolução (previsivel) que estavamos muito atentos.

Durante Julho e a Agosto, começou a selecção dos 20 formandos, registo o nome de todos: Marina Neto (Lisboa, 1967), Betina Gonçalves (Lisboa, 1969), Tó Simões (Setúbal, 1965), Helena Calapez (Abrantes, 1963), Cecília Mateus Santos (Santarém, 1968), Anabela Delca (Barreiro, 1967), Helena Simões (Lisboa, 1960), Ana C. B. (Lisboa, 1961), Rui Diniz (Lisboa, 1964), Cristina Saraiva (Coimbra, 1964), Emíla Barata (Lisboa, 1961), João Galvão (Lisboa, 1967), Margarida Dias de Carvalho (Lisboa, 1963), Irene Paixão (Vends Novas, 1966), Graça Cunha (Moçambique, 1961), Graça Rodrigues (Barreiro, 1965), Adelaide Lemos Borges (Lisboa, 1964), Vera Lima (Angola, 1965), Cristina Pires (Lisboa, 1965).

A selecção dos formandos estava feita, a equipa de formadores muito abrangente, variou bastante ao longo de três anos, abrangiam desde licenciados em várias áreas, a artistas e técnicos altamente qualificados no sector. Registo, em particular o apoio no secretariado de Manuela Abreu e Anabela Ferrão Covêlo, na modelagem Rosália Castanhinha, Elvira Baptista, Arlina Moreno, Fátima Figueiredo, Maria José, Floriana Cruz (moulage), e nas outras áreas João Mourão, Helena Subtil, Mª. José Oliveira (acessórios), Eduardo Neves, Novais Gonçalves, Helena Peralta ou Paulo Domingos (engenheiro textil), professor a Universidade da Beira Interior (Covilhã) que com a Universidade do Minho abrira um curso de engenharia nesta área, e na qual lecionei a disciplina de estilismo industrial.

Estratégia comunicacional e Formativa.

Dentro da estratégia que havia definido e aprovada pela directora do "Centro", estava a renovação da sua imagem. O seu valor, em particular para os cursos de estilismo não podia ser ignorado. O confuso logo do CFPS, em 1986, deu origem à CIVEC - Centro de Formação da Industria de Vestuário e Confecção, em cuja concepção foram envolvidos os 20 alunos. Paralelamente produzimos novos textos de apresentação e promoção, participei em programas da RTP, como o "Ponto de Encontro", fiz circular na comunicação social e nas publiccações do IEFP noticias sobre o CIVEC. No Porto, O Comércio do Porto, a 4 de Dezembro de 1986, numa reportagem de Fernando Duque, destacava as mudanças o Estilismo Industrial do CIVEC está a provocar.

Desde o inicio do curso todos os aluno, sem excepção, começaram a participar em diversas eventos na efervescente "moda em Portugal". Era essencial desenvolver o espírito de iniciativa, a criatividade em difrentes situações, em futurios profissionais num sector assente na própria mudança habitos, costumes e mentalidades. Neste ano, recordo-me, que dois antigos alunos do CITEM, organizaram as "Manobras de Maio" (1986) que estiveram na génese também Moda Lisboa (1991).

Em 1987, esteve movimento adquiriu uma nova dimensão, agora em diversos evtos com a presença dos alunos do CIVEC: Forum Moda na Intermoda, Gala do Cinema da Figueira da Foz, Exposição Crin`87 no Museu do Traje, , 2º. Desfile Manobras de Maio, etc. O CIVEC passa a ter um stand próprio da Intermoda, concebido pelos alunos. Participação regular nos concursos de moda no país: Concurso Nacional de formação Profissional, na área do Estilismo (Betina, 2º. lugar, Delca, 3º. lugar), Concurso de Novos Estilistas/intermoda (Tó Simões, 2º. prémio de Design de Moda), Portex-prémio de Design de Moda, vários fnalistas neste ano. Diversos alunos são convidados para desenharem modelos, catálogos, escreverem artigos, até darem aulas que estavam a receber no CIVEC. Apesar nos insistentes convites, o CIVEC nunca pode ter um stand próprio na Portex, dadas as guerras entre a APIV (industriais de Lisboa) e a ANIC (industriais do Porto).

Neste ano havia a convicção que havia que apostar nos jovens criadores para uma mudança efectiva na industria de vestuárioe. O próprio Museu do Trajo (inaugurado em 1977) mostrou-se particularmente ativo nesta promoção. O ICEP, de modo exaustivo passou a promover a presença de criadores e empresas no estrangeiro em certames internacionais.

O ano era promissor, apesar dos aproveitamentos politicos que na altura enfrentei.Era um periodo de renhidas disputas eleitorais. Em 1986 foram as presidenciais (1986), em 1987 as legislativas (julho de 1987). O prestigio alcançado pelo curso, acabou por me colocar perante um dilema: ou organizava um desfile de moda numa discoteca de Lisboa, junto ao Campo Pequeno, ou os projectos que estava a trabalhar seriam chumbados. Fizemos os desfile "anónimo", com modelos de plástico e milhares de alfinetes.

Chegados a 1988 tinhamos já dado um salto gigantesco, em termos de visibilidade pública e nas capacidades demonstradas pela maioria dos alunos. Multiplicavam-se os convites e as participações com sucesso em vários eventos: Hábitos do Forum no Forum Picoas, passagens de modelos no Museu do Trajo, Performance do CIVEC na Intermoda, etc. Nos prémios, destaque especial para Tó Simões, 1º. primeiro na Portex e 1º. prémio na Intermoda, em Design de Moda. Os alunos participavam, a título individual, mas com o apoio do CIVEC na criação de colecções, imagens de empresas, etc. Neste leque de experiências, revelavam as suas "vocações".

Estava em curso uma profunda revolução tecnológica na industria de confecção a nível mundial, em todas as áreas desde a concepção, produção ao pós-venda. A Comunidade Europeia incentivava e apoiava os Estados nestas mudanças. O CIVEC apetrechou-se com novos equipamentos, nomeadamente no planeamento do corte. Por minha iniciativa participou na rede Europeia Eutecnet, com um projecto que elaborei: Sentitex. Um estudo sistemático do impacto das Novas Tecnologias na Industria de Confecção, assim como o trabalho feminimo. Uma aluna Ana C. B.participou comigo nos contactos internacionais e na redação de estudos, cujas conclusões foram apresentadas em vários foruns:

Portex, conferência, texto caderno especial do jornal Expresso; Forum Picoas (Outubro de 1989), já como assessor do Centro Nacional de Formação de Formadores, sobre as Mulheres em Portugal no Mercado de Trabalho, no âmbito da Comunidade Europeia (Rede Comunitária Iris), publicado na revista Emprego e Formação.

Apesar da degradada situação interna da direcção do CIVEC, em Outubro de 1988, tendo como director interino , Pedro Vieira, avançamos para a publicação da revista - Vestir- , graças ao excelente trabalho de Marcial Alves. Neste primeiro número publiquei um texto sobre "O Impacto das novas Tcenologias na Industria de Vestuário, e os resultados previsiveis com o "trabalho a feito" , assente nos baixos salários. Alunas e professores do curso de estilismo, passaram a publicar na revista artigos com regularidade. Neste primeiro número fizeram-no: Ana Borges ( A Medida do pezinho), Cecília Mateus Santos (Agarrar o Futuro). Como formadores: Vitor Novais Gonçalves (Porquê o "Marketing"), João Paulo Domingos (Manutenção e Promoção da qualidade na industria de confecções). Isabel Marcos (Designios da Moda), aluna de um curso reciclagem em estilimos industrial. A revista, na altura de grande impacto no sector, era um claro meio de promoção do CIVEC e da perspectivação da industria em Portugal. Paralalemente, continuava a escrever para outras publicações, em espacial as revistas do IEFP - Dirigir e Formação e Emprego, Expresso, sobre temas da industria de confecção.

Mudanças e Novas Iniciativas.

O forte impacto criado pelo CIVEC, despertou como vimos, os habituais movimentos para o seu controlo e aproveitamento pessoal e partidário. Os empresários que se faziam representar no conselho de administração do CIVEC, desde o inicio que procuravam pôr nas suas empresas, ao seu serviço gratuitamente, tecnicos e formandos, assim usá-los nas iniciativas a que estavam ligados na AIP/FIL/Intermoda. Um abuso que, não raro, perturbava a própria formação.

A directora do CIVEC, acabou afastada num polémico processo, vindo a constituir a Magestil (1988), levando consigo importantes elementos do CIVEC, e depois alunos do curso de Estilismo (1986/1989). Esta escola centrou-se no inicio na formação de técnicos para a industria de confecção, com o tempo outros cursos foram surgindo, abrangendo hoje áreas tão diversas como o desporto, turismo, gestão, saúde, fotografia, design de interiores e exteriores, comunicação, marketing, relações públicas, publicidade e apoio à Infância. O curso de design de moda, criado em 1990, sob a coordenação de Adelaide Borges continua a ser a sua principal referência dado os créditos nacionais e internacionais que já obteve. A partir de 1995, passou a dipor de acolhedoras instalções na Avenida Almirante Gago Coutinho, em Alvalade. Em 2019 foi dado mais um passo nesta área, com a criação da Escola de Moda de Lisboa, secção da Magestil.

O Gabinete de Tendências do CIVEC, foi outro dos projectos que lançamos ainda em 1987, contando com a colaboração inicial de Greta Statter entre outras pessoas. No inicio de Janeiro de 1988 sou chamado a um reunião na FIL onde os empresários com assento do conselho de administração do CIVEC, com Vitor Nobre (responsável pela Intermoda) iria acabar sendo substituido pelo Gabinete da Intermoda, alunos e professores seriam recrutados e financiados pelo CIVEC. Era fácil seduzir jovens do primeiro curso (5) e de outro de "reciclagem" (mais curto) que entretanto organizara, para além de um professor. O desvio de material do CIVEC foi imperdoável. A situação na prática reflectia o que acontecia no país, nomeadamente no saque ao dinheiro proveniente do Fundo Social Europeu, que terminou, como é sabido, em 1991, com a demissão do presidente do IEFP, acusado de corrupção. O dito Gabinete da Intermoda acabou, quando secou o dinheiro. A Greta Statter, representante da lPromostyl em Portugal, fundou ,em 1990, com Maria da Assunção Avillez e Paulo Valente, um Gabinete de Imprensa de Moda do país.

No derradeiro ano de 1989, antes do estagio dos alunos do curso de 1986/1989 , o ambiente interno no CIVEC não era o melhor. Ignorando tudo isto, empresários e organizações do Brasil, como a SENAI continuavam a mandar jovens para realizarem estágios prolongados sob a minha direcção.Não podendo dizer que não ao mestre alfaiate Armindo Bártolo, tentei promover um curso de alfaiataria no CIVEC. Estudei a profissão, definimos o perfil profissional, elaboramos um curriculum exigente, reclamado pelo alfaites. Superamos as exigências colocadas pelo IEFP, quanto ao ao género dos formandos, mas não teve a procura desejada. Dez anos depois, a revista Vestir (nº40, Julho-Setembro 1998) publicou um dos textos que escrevi para promover este projecto que ficou pelo caminho.

Duas notas muitos significativas, uma sobre uma cooperativa e outro sobre um percurso individual. um grupo de dez alunos, desde 1987 alimentava a ideia de constituir uma cooperativa, a VERTICE. Foram dando corpo à ideia, realizaram várias iniciativas, em 1988, por exemplo, duas passagens de modelos, uma na Queima das Fitas em Coimbra e outra no Museu do Trajo em Lisboa. Foi ainda a tentar consolidar o mprojecto que chegaram ao fim do curso. Tó Simões, com grande ousadia, apresentou no Hotel Avenida Palace, com o patrocinio do CIVEC, a sua proposta para o inverno de 88/89. No ano, anterior, a convite do ICEP participou na acção "Moda Portugal" nos certames Future Fashions Scandinavia (Copenhagen) e no Salão de Moda Masculina em Colónia.Não foi o único convidado, mas aquele de forma consistente procurou uma ligação internacional.

No dia 20 de Junho de 1989, pelas 21h00, na Estufa Fria, realizou-se o desfile de encerramento do primeiro curso de estilismo industrial. Apesar de todos os precalços de última hora, foi um êxito. Após ter assegurado o estágio de todos os seus alunos, era tempo de colocar um ponto final na minha passagem pelo CIVEC. Aprendia muito com quem aprendia, mas também com quem ensinava e colaborava neste processo dito de ensino-aprendizagem. Prefiro charmar-lhe de partilha.

Carlos Fontes