Almeida Garrett

 

 

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, nasceu no Porto em 1799. Faleceu em Lsboa em 1854. O seu pai era funcionário superior da Alfandega do Porto; a sua mãe era descendente de uma família de comerciantes minhotos, que fizeram fortuna no Brasil.  

Na altura das invasões francesas foi com a família para os Açores(1804).Aí conviveu intensamente com seu tios sacerdotes que o iniciaram na leitura dos autores clássicos.

Em 1816 matricula-se na Universidade de Coimbra, aderindo pouco depois às ideias liberais. Terminou o seu curso em Direito em 1820, empregando-se na Secretaria dos Negócios do Reino. Três anos depois, após a reacção absolutista vê-se obrigado a emigrar para Inglaterra. Daqui passou à França onde se emprega em Havre, como correspondente comercial. Aí contacta com a estética romântica iniciada por Byron e Shelley em Inglaterra e Madame Stael e França.

Em França publica os poemas Camõese D. Branca que são um verdadeiro manifesto da introdução do romantismo nas letras em Portugal.

Em 1826 depois de outorgada a Carta Constitucional por D. Pedro IV regressou a Portugal. Funda os jornais O Português e O Cronista, através dos quais se defendem as ideias liberais.

Com a brutal reacção Miguelista, Garrett vê-se obrigado de novo a exilar-se para Inglaterra (1828). Os liberais agrupados em volta de Pedro IV resolvem invadir Portugal para restabelecerem a Monarquia Constitucional. Garrett está mais uma vez na linha da frente, desembarcando com um contingente de voluntários nas praias do Mindelo, participando depois no cerco do Porto (1832).

Terminada a Guerra Civil (1934) foi para Bruxelas como Cônsul Geral. Regressa Portugal em 1826, intervindo activamente na Revolução de Setembro. Passos Manuel nomeia-o inspector-geral dos teatros; organiza o Conservatório de Arte Dramática de Lisboa, promove a construção do Teatro Normal ( hoje Teatro Nacional D. Maria II).

Em 1842 dá-se golpe de Estado de Costa Cabral que restaura a Carta. Garrett é demitido, passando à oposição ao Governo. Em 1852, após a queda de Costa Cabral, é nomeado ministro dos negócios estrangeiros. Dois anos depois, morre numa casa que havia adquirido em Lisboa. Em Janeiro de 2006 esta casa foi demolida com autorização da Câmara Municipal de Lisboa, presidida por Carmona Rodrigues. A barbárie contra a qual se insurgiu Garrett no seu tempo, voltou a tomar conta da capital de Portugal. 

Carlos Fontes

Breve Síntese das Suas Obras pela data de publicação

1820: - Retrato de Vénus (poema).
1825: - Camões (poema).
1826: - Bosquejo da História da Literatura Portuguesa.
- D. Branca (poesia)
1828: - Adozinda ( poema inspirado no romanceiro popular).
1829: - Lírica de João Mínimo (poesias escritas entre 1815 e 1824).
- Da Educação
1830: - Portugal na Balança da Europa.
1838: - Um Auto de Vicente (drama).
1840: - D. Filipa de Vilhena (drama).
1841: - O Alfageme de Santarém (drama).
1842: - Romanceiro (1º. Volume).
1843: - Frei Luís de Sousa (drama).
1845: - Flores Sem Fruto ( poesia).
 - O Arco de Santana (drama).
1846: - Viagens na Minha Terra (romance).
1848: - A Sobrinha do Marques (drama).
1851: - Romanceiro ( 2º e 3º. Volume).
1853: - Folhas Caídas (poesia)

Destruição da Casa de Almeida Garrett em Lisboa

Santana Lopes, presidente da CML, em 2003, autorizou a destruição desta casa. Perante os protestos públicos, recuou na decisão. O seu seguidor, Carmona Rodrigues, no dia 6 de Janeiro de 2006, autorizou de novo a destruição da casa. Foi uma das primeiras medidas do novo executivo após ter ganho as eleições camarárias. Um facto é revelador da importância que a CML atribuiu à cultura.

 

Imagens da fachada da Casa de Almeida Garrett, em Lisboa, cuja destruição foi autorizada, em Janeiro de 2006, pela Câmara Municipal de Lisboa.

Contraste

Enquanto em Lisboa se destrói a Casa de Almeida Garrett, milhares de alunos da capital todos os anos viagem pelo norte do país para conhecerem as casas onde viveram grandes escritores da língua portuguesa.

Viagem de um Grupo de Alunos da Escola Secundária Rainha Dona Leonor (Lisboa)

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