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IA: O que já aprendemos

A chamada Inteligência Artificial (IA) entrou não apenas no vocabulário corrente, mas também está a ter um impacto semelhante ao da difusão da Internet nos anos 90 do século XX. Na altura, a população era divida em duas categorias, os info-incluídos e os info-excluídos, supostamente os primeiros tinham acesso à informação, conhecimento e à Verdade. Os outros, estavam condenados à ignorância. Numa simples conversa, um argumento decisivo capaz de rebater os argumentos mais sólidos, era  quando alguém proclamava "- Está na Internet". Algumas décadas depois, a apreciação da "Internet" passou a ser outra: "Está cheia de Lixo". Não se pode acreditar no que está escrito, nas próprias imagens que vemos que podem ser falsas. O espírito critico  é fundamental.  

A  IA é aparentemente um enorme salto qualitativo no domnínio da informação e do conhecimento :  pergunte o que quiser, que lhe é fornecido um discurso repleto de  factos, com uma interpretação coerente sobre os mesmos, e presunções sobre aquilo que não se sabe ou é duvidoso. A Verdade está agora arrumadinha, pronta a consumir, não precisa de saltar de texto (página em página, site em site). Poderosas máquinas, face à pergunta que fez  leram  milhões de textos, ponderaram  o que havia de relevante, resumiram tudo e  encontraram uma resposta objectiva à questão pu questões que foram colocadas. Ganhou tempo, trabalho e sem pensar obteve a resposta à sua pergunta. Este é o enorme poder sedutor da IA. 

Estamos Livres da Exigência do Espírito Critico? Basta termos em conta, os vários "operadores" que fornecem este "serviço" para percebermos que cada um deles tem "critérios" (pesos)  diferentes para orientar a selecção da informação, a interpretar e completar o que não se sabe ou é duvidoso. Desta forma veicula uma dada visão do mundo, uma VERDADE de acordo com os interesses que defende. Ontem como hoje, duas categorias mantém a sua actualidade: os Ingénuos e os Criticos.                          

 

Carlos Fontes